13 de fevereiro de 2012

SERRA BRANCA: A CORAGEM E A PREGUIÇA!


No dia seguinte, segunda-feira logo cedo na frente do mercado, o assunto do povo era sobre a inauguração do Complexo Esportivo de Serra Branca.

Quando eu pisei no calçadão do Mercado para esperar o ônibus algumas pessoas se aproximaram e um moto-taxista foi logo perguntando: “Zizo, quanto o deputado Luiz Couto botou naquela obra lá da Quixaba que foi inaugurada ontem?”

Respondi: “Nenhum real. Aquela obra é de particulares.”

“Ochente! – espantou-se o moto-taxista – E não tem dinheiro do governo lá não?”

Expliquei: “Aquela obra monumental para a cidade e região é um investimento de Zé Dapaz de Zé de Raul e do Vereador Galeguinho. Não tem nada de nenhum governo. Tudo ali é suor de pessoas que trabalham.”

Um motorista de transporte alternativo exaltou-se: “Como é que pode? Particulares fazem uma obra daquele tamanho! Uma maravilha! E o prefeito não faz nada pela cidade! Que vergonha!”

Um passageiro, com um copo de café na mão entrou na conversa: “Ontem fui lá ver o complexo esportivo. Não tem nada igual no Cariri. Três campos de futebol. Quadra de areia. Chuveiros para quem quiser se molhar a valer. Uma área coberta para eventos e uma festa com muito forró e muita alegria.”

O moto-taxista falou de novo: “É isso mesmo. Enquanto uns tem tanto gosto com a cidade da gente o hômi que tá na prefeitura num tá nem aí prá nada”.

Um marchante entrou no assunto: “É! Mas tinha uns puxa-sacos do prefeito dizendo que esse ano o prefeito ia botar prá quebrar. Ia fazer em um ano o que ‘num’ fez em três anos.”

O passageiro tomou o último gole de café, jogou o copo descartável na lata de lixo, deu de ombros e falou: “Sei... Sim... Fazer em um ano o que não fez em três... Está pensando que nós somos otários”

O motorista do transporte alternativo, balançando o chaveiro, falou alto de novo: “Quem quer trabalhar, trabalha todo dia sem enganar ninguém. E a prefeitura tem como conseguir mais dinheiro do que qualquer particular. É só ver o que estar acontecendo nos outros municípios.”

“E o prefeito de vocês foi lá ‘vê’ o serviço dos meninos?” – perguntou o marchante como se não fosse da cidade.

“Foi nada” – retrucou o moto-taxista – “E ele ia fazer o que lá? Passar vergonha com a preguiça dele diante do trabalho de Zé Dapaz e Galeguinho! Ele ‘tava’ no bar lá das Vertente olhando o povo ‘passá’ de volta da festa. Acho que ‘tava’ morto de vergonha”

“Vergonha? – questionou o passageiro – que nada! Esse povo é cara de pau. Esse ano tem eleição e eles vão sair por aí oferecendo bicada de cana e prometendo empregos na prefeitura de novo. E quem for otário que acredite”

Uma mulher que tudo escutava entrou na conversa pela primeira vez: “É danado mesmo. Tanta coragem prá trabalhar que uns tem falta em outros. Mas eu prefiro ficar com quem trabalha.”

O marchante então falou: “Cada um com a sua consciência. Galeguinho e Zé Dapaz hoje estão cansados, mas fizeram bonito. Serra Branca agradece”

O ônibus apontou na praça. Os alternativos foram saindo. Quem ia viajar tomou destino.

Por Zizo Mamede