29 de janeiro de 2012

NO CAMPO DA ESQUERDA POLÍTICA NA PARAÍBA



Está cada vez mais difícil dizer o que é ser de esquerda hoje, principalmente entre os partidos da ação política institucional – outro dia, no fervor da crise do capitalismo contemporâneo, a prefeita petista de Fortaleza, Luiziane Lins, defendeu o fim do capitalismo, mas não soube dizer como nem para onde. Preferível assim porque as receitas de socialismo raivoso e totalitário que os “revolucionários” propõem por aí ninguém merece.
   
A preferir-se Norberto Bobbio, tenha-se que “a maior bandeira da esquerda é a luta pela igualdade”. Mas não está no horizonte dos partidos da esquerda, que estão no poder em qualquer ponto do planeta, o fim do capitalismo. No máximo lutar por uma “igualdade humana básica”? (ver T. H. Marshall). No máximo, incorporar milhões de pessoas no mercado de consumo (ver Lula da Silva e Dilma Roussef). Isso se o parâmetro da vida fosse só a economia, como prefere a esquerda mais esquerdista e teleológica.

Melhor falar de campo democrático e popular – e falar também de outras bandeiras porque a vida não se reduz à economia. Mesmo assim ainda fica muito complicado. Veja-se o caso recente do Brasil, dadas as alianças que partidos como PT, PSB, PC do B, PDT e PSDB fizeram nos últimos anos com outros partidos que nada tem de tradição democrática e popular.  Aqui entra uma questão que é importante: a hegemonia da aliança que domina o cenário concreto da política – Quem manda nos governos? Quem se sobrepõe? Quem dá a linha?

Os mais críticos vão continuar dizendo que o PT, no governo da nação, faz muito bem ao capitalismo, apesar dos avanços sociais – melhor do que o PSDB que fez um governo marcadamente neoliberal.

Aqui na Paraíba, a situação não é menos confusa quando se fala de esquerda ou de campo democrático e popular. Em que pese o crescimento do PSB, o maior partido dessa tradição no Estado, seu tamanho se deve muito mais a Ricardo Coutinho no exercício de mandatos no poder executivo. O PSB é frágil em sua composição pelos interiores do Estado. É frágil no parlamento e não tem base nos movimentos sociais para além da cidade de João Pessoa. – A situação do PT é bem mais difícil. Os demais partidos do campo, ou não têm nada da tradição esquerda, a exemplo do PDT, ou estão cada vez menores, como são os nano-comunistas.

Assim sendo, no âmbito do embate eleitoral, o que está em jogo em 2012 e 2014 é a expansão e consolidação desse campo democrático e popular. Nas eleições municipais não será uma tarefa fácil eleger um grande número de lutadores e lutadoras do povo, dado que quanto mais paroquial a eleição mais as forças conservadoras têm força e tradição. Mas todo passo dado neste sentido deve ser sólido.

A eleição municipal na cidade de João Pessoa encerra essa expectativa. Com o PMDB e o PSDB unidos, senão já no primeiro turno por uma conveniência tática, contra a candidatura socialista, cabe ao PSB e ao PT lidarem a articulação dos partidos do campo da esquerda institucional para os avanços políticos e eleitorais necessários. – De preferência estadualizando esse movimento, como defendem Luiz Couto e Julio Rafael com muita propriedade.

Como a vida não se resume a eleições, que todas as outras lutas continuem desfraldando suas bandeiras que durante séculos sequer eram lembradas: Direitos Humanos em suas várias vertentes; a questão ambiental; diversidade étnica, de gênero, etc.; cultura de paz; democratização da comunicação, democratização do Estado, etecetera. – pautas que estão entrelaçadas com a luta pela redução das desigualdades materiais.

                                                                                                                                        Por Zizo Mamede